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Por que é tão difícil conhecer a si mesmo? Embora esta importante questão não seja simples e direta, podemos responder a esta pergunta de maneira sucinta: porque os nossos olhos estão voltados para fora.

Da mesma forma que os olhos enxergam muito bem tudo o que está ao nosso redor mas é incapaz de ver o nosso próprio rosto, vemos com clareza como são as pessoas, porém somos praticamente cegos quando a questão é saber quem e como somos. Por estarmos muito próximos de nós mesmos, não conseguimos enxergar a própria imagem.  

Uma das formas de percebermos mais sobre nós mesmos é aprender a partir da imagem das pessoas que vemos e nos relacionamos. Neste sentido, o episódio abaixo, vivido pelo professor Kentetsu Takamori e registado no livro “Sementes do Coração”, tem muito a contribuir para o nosso crescimento como seres humanos.

Certo dia, num autocarro quase vazio, escolhi um lugar e esparramei-me confortavelmente, ocupando vários bancos. Olhei distraído à volta e vi um homem de meia-idade com a braguilha das calças totalmente desabotoada. Naquela época, ainda não se usava fecho-éclair. 

Fiquei indeciso, mas pensei que ele ficaria contente se o alertasse. Cheio de coragem, aproximei-me e avisei-o em voz baixa. Não seria capaz de o fazer se fosse uma mulher. No entanto, como éramos do mesmo sexo, falei sem rodeios, apesar da diferença de idade. Há quem mesmo assim fique aborrecido, mas não foi o caso. 

O cavalheiro, embora assustado a princípio, riu logo um pouco encabulado. Agradeceu com um sinal da cabeça, escondeu a braguilha com uma revista e abotoou as calças. 

Ao ver que ele terminara a tarefa, voltei para o meu lugar, aliviado. Cruzei os braços, sentei-me com as pernas firmes no chão e pus-me a olhar pela janela. 

Minutos depois, o cavalheiro veio na minha direção e sentou-se ao meu lado. Fiquei nervoso e ele disse-me aos cochichos: «as suas calças também estão desabotoadas.» 

Por instinto coloquei a mão na braguilha e vi que estava totalmente aberta. Senti tanta vergonha que o meu rosto ficou vermelho. Timidamente, sorri e fiz um sinal com a cabeça, agradecendo a gentileza. 

«Muito se aprende com os erros dos outros», diz um velho ditado. 

Por outro lado, nós também cometemos muitos erros. E não é fraqueza alguma reconhecer o erro, pedir desculpas pelo equívoco e esforçar-se para imediatamente corrigi-los. Vergonha é não admitir, insistir, tentar justificar o erro e, ainda, culpar os outros pela má consequência sofrida. 

Segundo a filosofia budista, o que faz a diferença entre a pessoa que é capaz de aprender com os próprios erros e aquela que apenas culpa e reclama dos outros é o conhecimento sobre si mesmo.

“Não posso condenar ninguém por maiores que sejam seus defeitos, porque eles não são quase nada se forem aos meus comparados”.

Outras histórias inspiradoras para o nosso desenvolvimento como seres humanos também podem ser lidas no livro “Um caminho de flores”, de Kentetsu Takamori.

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Mauro Nakamura
Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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