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Ao ouvir a palavra “felicidade”, muitos pensam em uma mudança no nosso estado mental – que nos tornamos pessoas com pensamentos positivos e capazes de suportar o sofrimento com um pouco mais de tranquilidade. 

Um escritor japonês escreveu sobre o conceito de felicidade verdadeira: “Então, o que muda? É possível que, muito embora continuemos a sofrer, sejamos capazes de suportar o sofrimento. Não afirmo categoricamente porque acredito que às vezes mesmo aqueles que conquistaram a verdadeira felicidade podem perder a força de viver.”

Outros parecem achar que “felicidade” significa ser libertado do egoísmo e da ganância, de modo que nos tornamos indiferentes à sedução do dinheiro e às tentações e prazeres do mundo. 

A filosofia budista explica a felicidade plena e verdadeira, possível nesta vida, como um “mundo interior” em que “as ondas de todo o sofrimento transformam-se em alegria”.

Isso significa que, mesmo que a pessoa conquiste uma felicidade genuína e duradoura, continuará a ter e sentir desejo, apego, ira, raiva, inveja e ciúme, sentimentos inerentes ao ser humano chamados de “paixões mundanas”, que nunca deixarão de existir até o fim da vida. Afinal, somos feitos e formados dessas paixões, conforme explicou Buda Shakyamuni, há 2600 anos. 

Se no dia a dia, sofremos quando não temos um desejo satisfeito, quando sentimos raiva, inveja ou ciúme, como será possível, mesmo assim, obter uma felicidade plena, verdadeira e duradoura?

Shinran (1173-1263), um importante nome do budismo no Japão, expressou esta felicidade da seguinte maneira:

“Os obstáculos dos maus atos se tornam substância do mérito. 

É exatamente como gelo e água: quanto maior o gelo, maior a água.

Quanto maior o obstáculo, maior a virtude.”

(do livro “porque vivemos”, de Kentetsu Takamori)

Quando a causa básica do sofrimento humano (a mente escura ou escuridão da mente, e não as paixões mundanas) é solucionada e obtemos a verdadeira felicidade, o “gelo” das paixões mundanas, como o desejo e a raiva (obstáculos ou maus atos), derrete e transforma-se na água (substância do mérito) da felicidade plena e duradoura. 

Quanto maior o tamanho do gelo, maior é a quantidade da água. Quanto maior o lamento e sofrimento, maior é a alegria e felicidade. Aqui vemos uma demonstração das verdades explicadas pela filosofia budista: “ten’aku jozen” (a infelicidade transforma-se em felicidade) e “bonno soku bodai” (as paixões mundanas tornam-se em alegria). Por outras palavras, o sofrimento transforma-se em felicidade, sem nenhuma alteração na qualidade e quantidade. 

Essa analogia representa um esforço incrível para fazer o impossível – usar as palavras para retratar e explicar um mundo além das palavras e da imaginação. 

As palavras não são capazes de expressar a verdadeira felicidade na sua totalidade, mas, não havendo outro meio de comunicação, há 2600 anos Buda Shakyamuni empreendeu esta missão impossível, que resultou no ensinamento que hoje conhecemos como budismo ou filosofia budista. Ouvir, ler, compreender e praticar o budismo no nosso quotidiano é caminhar em direção à verdadeira felicidade nesta vida.

Neste processo de busca pela verdadeira felicidade é fundamental saber corretamente sobre a causa do sofrimento. Leia o artigo abaixo “Onde está a causa do sofrimento?” e saiba mais sobre este assunto essencial para qualquer ser humano.

Dúvidas, perguntas e comentários podem ser enviadas para Mauro Nakamura, pelos seguintes meios:

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Professor de filosofia budista, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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