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Este é o título da agradável música do grupo Titãs, que com uma letra sugestiva, nos faz refletir sobre como e por que vivemos.

Mas o que é “saber viver”? Ou ainda, o que é preciso saber para “saber viver”? Talvez esta seja a pergunta mais adequada a fazer.

Para “saber viver” é preciso, antes de tudo, “saber olhar” a vida e o ser humano de maneira positiva e otimista, mas sempre, de forma realista e sem distorções, ou seja, sem levar em consideração as nossas conveniências.

“Ver corretamente” a vida e o ser humano é um conceito transmitido pelo Buda Shakyamuni há mais de 2600 anos e uma virtude ensinada no Budismo.

O conto a seguir, do livro “Um caminho de flores”, do professor Kentetsu Takamori (Editora Satry, São Paulo, 2012), fornece uma dica importante para esta compreensão.

O prato mais saboroso

Era uma vez um rei que estava decidido a comer o prato mais saboroso do mundo. Ele reuniu cozinheiros de toda parte, mas estava tão acostumado a comer bem que tinha o paladar cansado e nada o atraía. “Esses cozinheiros não valem nada!”, rosnou. “Encontrem um chef melhor!”

Seus assistentes estavam perdidos, até que alguém deu um passo à frente e disse que era o melhor cozinheiro do mundo.

“Consegue fazer uma comida capaz de me satisfazer?”, perguntou o rei.

“Consigo, Majestade, mas primeiro tenho de pedir que o senhor faça exatamente o que eu disser.”

Relutante, o rei concordou. “Parece interessante. Tudo bem, eu aceito, então siga em frente e faça a comida.”

Durante os três dias seguintes, o cozinheiro não saiu de perto do rei; ficou ali sentado sem fazer nada.

“Quando vai cozinhar para mim?”, perguntou o rei.

“Logo, Majestade, prometo.”

No terceiro dia, quando o rei já estava fraco de fome, o cozinheiro trouxe um prato simples de vegetais. “Aqui está o prato mais saboroso do mundo, conforme o pro- metido. Bom apetite.”

O rei estava faminto. Depois de engolir tudo, deslumbrou-se: “Nunca comi nada tão delicioso em toda a minha vida. O que era isso e como você fez?”.

“O tempero que deixa toda comida deliciosa é a fome”, respondeu o cozinheiro. “Quando se está com fome, qualquer comida parece ambrosia.”

O prazer de comer vem de matar a fome. Sem o desconforto da fome, o prazer de uma boa comida não existe. O mesmo vale para a vida: quem evita o sofrimento também não consegue sentir prazer. Quem tem medo não tem acesso à verdadeira felicidade. Só quem conhece a dor reconhece a alegria.

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Mauro Nakamura
Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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