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Suddhipanthaka, um dos discípulos mais famosos do Buda Shakyamuni, era incapaz de lembrar-se até do próprio nome. Um dia, foi expulso de casa. Shakyamuni o encontrou chorando e perguntou delicadamente: “Por que você está tão triste?”. 

Soluçando, Suddhipanthaka lamentou com amargura: “Por que nasci tão burro?”. 

“Não precisa chorar”, disse Shakyamuni. “Você tem consciência de sua tolice, enquanto que muitos tolos acham que são sábios. Ter consciência da própria ignorância nos aproxima da verdadeira felicidade”. Ele entregou uma vassoura a Suddhipanthaka e o instruiu a dizer o seguinte enquanto trabalhava: “Eu varro a poeira. Eu limpo a sujeira”. 

Suddhipanthaka tentou, com todas as forças, aprender as palavras ensinadas pelo Buda, mas, sempre que se lembrava de uma, esquecia da outra. Mesmo assim, cumpriu sua tarefa durante vinte anos. 

Uma vez, durante esses vinte anos, Shakyamuni elogiou Suddhipanthaka por sua determinação. “Por mais que continue varrendo, você não consegue limpar melhor, mas, apesar disso, não desiste. O progresso é importante, mas perseverar com o mesmo empenho é ainda mais importante. É uma qualidade admirável, que não vejo em outros discípulos.” 

Com o tempo, Suddhipanthaka se deu conta de que a poeira e a sujeira se acumulavam não apenas nos lugares de sempre, mas em pontos onde ele menos imaginava. 

De repente, percebeu: “Eu sabia que não era inteligente, mas ainda não tinha percebido quanta ignorância mais existe em mim, em lugares que eu nem cogitava”. 

Por fim, Suddhipanthaka atingiu um estágio muito elevado de iluminação. Além de encontrar um grande mestre e ensinamentos verdadeiros, foram seus longos anos de esforço e perseverança que coroaram seu êxito e sua felicidade. 

(História do livro “Um caminho de flores”, de Kentestu Takamori)

A verdadeira felicidade, aquela que é plena e duradoura, independe de inteligência, habilidades, qualidades pessoais, capacidades pessoais, conhecimento, grau de instrução ou formação. Ela é possível para qualquer pessoa, em qualquer época e lugar. Por esta razão, na filosofia budista, ela também é chamada de felicidade absoluta, em contraposição à felicidade relativa, que é sentida e vivenciada de forma diferente por cada pessoa e, que para um mesmo indivíduo, muda com o passar do tempo, ou seja, é inconstante. 

Todas as felicidades que conhecemos são felicidades relativas. Por isso, temos a necessidade de sempre estarmos atentos para mantê-las, pois a qualquer momento ela pode mudar e desaparecer. Ao mesmo tempo que nos traz alegria, a felicidade relativa infelizmente também faz surgir a insegurança e ansiedade dentro de nós. 

Precisamos de felicidades relativas para sobreviver e viver bem, com qualidade de vida, saúde física e mental. Mas é essencial buscarmos a felicidade absoluta, objetivo supremo pelo qual nascemos como seres humanos e estamos a viver e lutar nesta vida. Nosso esforço e perseverança precisam ser direcionados, principalmente (não unicamente), para este grande objetivo, que a filosofia budista explica como sendo o propósito final de todas as pessoas.  

Leia mais sobre esta questão fulcral da vida e do ser humano no artigo “Objetivo da vida e meios de vida” e no livro “Porque vivemos”.

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Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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