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O senhor feudal japonês Tokugawa Mitsukuni (1628-1701) estava numa viagem de inspeção em seus domínios. Um aldeão, famoso por maltratar a mãe, ao saber que o senhor daquelas terras recompensaria qualquer pessoa que demonstrasse respeito aos pais, e desejando receber o prêmio, carregou sua mãe nas costas e juntou-se à multidão que saudava o ilustre visitante.

Mitsukuni viu aquele homem carregando a própria mãe e mandou um auxiliar dar-lhe uma recompensa.

“O senhor não devia fazer isso”, disse o auxiliar. “Esse sujeito é famoso por maltratar a mãe o tempo todo. Ele só está aqui hoje com a mãe nas costas para tentar enganar o senhor e receber alguma coisa.”

Mitsukuni ouviu, pensativo, e disse:

“Que diferença faz isso? Mesmo que ele tenha tomado essa atitude com segundas intenções, e mesmo que seja apenas hoje, o importante é que, ao menos desta vez, ele demonstrou o devido respeito. Dê ao homem uma boa recompensa.”

(História de Kentetsu Takamori, professor de budismo e autor do livro “Porque vivemos”)

Quem toca em tinta verde fica manchado de verde. Quem convive com pessoas boas sentirá um desejo natural de fazer o bem.

É possível mudar a nossa postura e as atitudes a partir da mudança de pensamento e tomada de consciência. Mas esta não é a única maneira. Para algumas pessoas, é mais fácil primeiro agir para depois refletir e mudar. Praticar o bem, inspirado em alguém que gostamos ou respeitamos é, inegavelmente, uma boa ação. Igualmente, fazer o bem, mesmo com algum interesse ou segundas intenções, também é uma boa ação, por mais não seja um bem totalmente “puro”.

Vamos praticar boas ações, mesmo que seja por imitação, pois isto já será o primeiro passo para que possamos nos tornar melhores seres humanos.

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Professor de filosofia budista, cultura japonesa e pensamento nipónico, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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