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Mesmo quando se percebe que uma criança está a mentir, é importante distinguir uma mentira maldosa de uma mentira inocente, para dar aos filhos uma educação que favoreça a sua personalidade e o seu futuro.

Este é um dos grandes aprendizados proporcionados pela filosofia budista aos pais, aos professores e a todas as pessoas que têm a difícil mas nobre missão e responsabilidade de educar as crianças e jovens.

O Prof. Kentetsu Takamori, autor do livro “Porque Vivemos”, ensina sobre este importante tema da educação infantojuvenil numa história baseada em fatos reais do Japão, século XVII, que partilhamos abaixo.

Um pombo pousou no jardim do xogum Iemitsu Tokugawa (1604-1651), que chamou um dos seus homens, Heikuro Yamamoto, pedindo-lhe que apanhasse a ave e cuidasse dela. Heikuro levava o pombo para casa quando tropeçou, caiu e deixou o animal fugir da gaiola. O pássaro voou e desapareceu.

No dia seguinte, o mesmo pombo voltou ao jardim de Iemitsu, que novamente ordenou que o prendessem numa gaiola. Tornou a chamar Heikuro Yamamoto e perguntou-lhe, fingindo desconhecimento:

«Como está o pombo que deixei contigo ontem?»

Heikuro assustou-se, mas fingiu calma e respondeu: «está na minha casa a voar despreocupadamente.»

«Tens a coragem de dizer que o pombo está em tua casa, a voar despreocupadamente?» E, ao falar assim, pôs a gaiola diante de Heikuro.

O homem empalideceu, perdeu a fala e começou a tremer.

Dois dáimios ali presentes, Masamori Hotta e Kutsuki Iyo no Kami, ralharam com Heikuro, instigando a ira de Iemitsu: «Como te atreves a enganar o xogum? Qualquer que seja o castigo que ele escolher para ti, será mais do que merecido!»

Todos julgaram que Iemitsu estava a ponto de desembainhar a sua espada, mas ele refletiu por um instante e falou: «Quero dizer uma coisa. Há dois tipos de mentira: a maldosa e a inocente. A verdadeira mentira é aquela por trás da qual existe uma conspiração maligna. Pelo contrário, se a pessoa mente por desespero, na tentativa de escapar de uma situação embaraçosa, a sua mentira é inocente. Heikuro mentiu; porém, a sua mentira logo foi descoberta. Ele não teve a coragem de confessar que deixou fugir o pombo que estava ao seu cuidado, mas nem por isso tinha a intenção de nos continuar a enganar. Mentir nunca é bom; no entanto, o mais importante é saber distinguir uma mentira maldosa de uma mentira inocente. Mentiste por desespero, não é verdade, Heikuro?»

Diante de tamanha compreensão e bondade, Heikuro Yamamoto emocionou-se e desfez-se em lágrimas.

Atos como este revelam por que razão Iemitsu Tokugawa foi um grande xogum, respeitado por todos.

Leia outros textos e contos como este no livro “De mãos dadas no caminho – Os laços entre pais e filhos”, de Koichi Kimura.

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Mauro Nakamura
Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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