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Às vezes, mesmo quando levamos uma vida honesta, sem causar problemas a ninguém, somos surpreendidos por boatos e insultos infundados, o que não só nos assusta, como também causa sofrimento e revolta. 

Ao longo da vida, muitas vezes somos mal interpretados. Mas quando o equívoco se esclarece, uma confiança ainda maior é estabelecida entre as partes envolvidas.

O tempo, porém, varrerá os rumores e fará que a verdade se revele e ressoe por toda a parte, como o som de um tambor. Uma história real que aconteceu no Japão, relatada por Kentetsu Takamori, autor do livro “Porque vivemos”, comprova esta verdade.

No início do século XVIII, vivia um monge zen que se chamava Hakuin. Perto do templo, morava o dono de uma loja de bebidas, pai de uma jovem muito bonita. Embora solteira, a rapariga ficou grávida. 

Dizem que as más notícias correm depressa e a história espalhou-se pela cidade. O pai, muito severo, pressionou a filha para que lhe contasse quem era o pai da criança. Se revelasse a verdade, seria um escândalo, pensou a rapariga. Mas talvez pudesse contornar a situação se atribuísse a paternidade do filho ao monge Hakuin, considerado por todos um homem de grande virtude. 

Levada pelo desespero, a jovem sussurrou à mãe: «o pai da criança é o monge Hakuin.» Ao saber disto, o pai ficou colérico e correu ao templo. 

Quando se viu diante de Hakuin, exigiu satisfações aos gritos e cobriu o monge de insultos. Ainda descontente, reivindicou o pagamento de uma indemnização para cobrir as despesas com a educação da criança. 

Hakuin era mesmo virtuoso. Disse apenas: «Ah… Então é isso!» e pagou parte da indemnização exigida pelo pai da jovem. 

Ao saber disto, mesmo quem acreditava na inocência do monge passou a desconfiar dele e espalhou-se por toda a parte o rumor de que ele era um patife. 

Diante de insultos e de blasfémias tão violentos que lhe torturavam os ouvidos, o monge dizia apenas: «quem quiser insultar que insulte. Quem quiser falar que fale. Falar é um problema dos outros. Aceitar ou não estas blasfémias é um problema meu.» Hakuin não prestou atenção a nenhuma palavra. 

Aflita com a situação que jamais esperara provocar, a filha do proprietário da loja de bebidas acabou por confessar a verdade. Os pais ficaram então chocados pela segunda vez. 

O pai levou a rapariga ao templo e ambos se ajoelharam diante do monge Hakuin, pedindo perdão pelos insultos e blasfémias injustos e infundados que ele sofrera. A resposta do monge foi a mesma de antes: «ah… Então foi isso!» 

“Em qualquer época e lugar, ninguém é elogiado, nem criticado por todos.” (Buda Shakyamuni)

Leia mais sobre a filosofia budista e a questão essencial do ser humano e da vida, no livro “Porque vivemos”.

Dúvidas, perguntas e comentários podem ser enviadas para Mauro Nakamura, pelos seguintes meios:

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Professor de filosofia budista, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

One Comment

    • Marina Da Silva

    • 3 meses ago

    Sou a Marina Da Silva, gostei muito do seu artigo tem
    muito conteúdo de valor parabéns nota 10 gostei muito.

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