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Tempos atrás, um homem rico vivia muito feliz com as suas três esposas. A primeira esposa era aquela a quem tratava com um carinho especial, afagando-a, protegendo-a do frio, preocupando-se quando sentia calor. O homem atendia todos os pedidos daquela esposa e não deixava de satisfazer todos os seus desejos. 

À segunda esposa não dispensava tanto carinho, mas como a havia conquistado com muito esforço, disputando-a com outros homens, sentia-se feliz por a ter ao seu lado. Com a terceira esposa contentava-se em encontrar-se nas horas de solidão, quando se sentia consternado ou quando tinha alguma preocupação. 

Não demorou muito, o homem adoeceu, acometido por um mal incurável. Receoso com a sombra da morte que se aproximava a cada instante, chamou a primeira esposa para desabafar toda a angústia do seu coração e pedir que o acompanhasse na viagem ao pós-morte. 

No entanto, ela respondeu-lhe: «Sinto-me grata por todo o carinho recebido e atenderia todos os seus pedidos, exceto o de o acompanhar na viagem da morte.» Com esta resposta fria, o homem foi atirado para o abismo do desespero. 

Sem conseguir suportar a solidão, humildemente o homem recorreu à segunda esposa. Esta, por sua vez, disse-lhe: «Se a primeira esposa, tratada com tanto carinho, rejeitou o seu pedido, não serei eu quem irá aceitar. Se me fez sua mulher, foi por sua própria vontade.» A resposta da segunda esposa foi igualmente bastante fria. 

Com muito receio implorou à terceira esposa, que respondeu: «De forma alguma me esqueci de tudo o que vivemos até hoje. Como reconhecimento, irei acompanhá-lo até à entrada do seu túmulo. A partir daí, por favor, não me peça para o acompanhar». Com estas palavras, a terceira esposa também recusou o pedido. 

Esta famosa parábola contada pelo Buda Shakyamuni está registada no sutra budista Zoagon. O homem rico representa cada um de nós, os seres humanos. 

A primeira esposa representa o nosso próprio corpo, ao qual dedicamos a maior atenção e carinho, cobrindo-o nos dias frios, refrescando-o no calor, lavando-o e suprindo-o com tudo do bom e do melhor. 

A segunda esposa simboliza o dinheiro, os nossos bens, as riquezas acumuladas ao longo da vida, muitas vezes disputando-os com outras pessoas. 

A terceira esposa representa os nossos pais, filhos, todos os demais familiares e amigos, que nos apoiam, nos con- solam e nos fazem companhia nos momentos mais difíceis da vida. 

Esta parábola traz-nos uma reflexão positiva da vida, para que possamos avaliar o que realmente é importante e precisa de ser priorizado, para que no final da vida possamos afirmar com plena certeza e satisfação: «Valeu a pena ter nascido e vivido esta vida!». A filosofia budista indica e ensina o caminho para esta felicidade. 

Leia mais sobre a filosofia budista no livro Causa e Consequência – Filosofia budista para o dia a dia.

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Professor de filosofia budista, cultura japonesa e pensamento nipónico, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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