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Ao longo da história milenar do Japão, destacam-se vários intelectuais, cientistas, líderes e escritores de renome, dentre os quais podemos citar Toyotomi Hideyoshi e Tokugawa Ieyasu, poderosos generais do século XVI. Também merecem destaque nomes da literatura japonesa com a Soseki Natsume, Ryunosuke Akutagawa e Yasunari Kawabata, sendo este último vencedor do Prémio Nobel da Literatura em 1968.

O Mestre Shinran

Uma das personalidades mais marcantes da história japonesa foi Shinran Shonin, que viveu no século XIII.

Os seus ensinamentos deram origem ao Jodo Shinshu, a escola budista mais difundida no Japão. Ao longo dos 700 anos após o seu falecimento, ele vem sendo citado em inúmeras publicações.

Um dos mais famosos clássicos da literatura japonesa chamado Tannisho conta algumas das passagens da vida de Shinran, com trechos das suas palestras e declarações.

Num artigo publicado no jomal japones Chugai Nippou em 1963, consta a seguinte declaracão do filósofo alemão Martin Heidegger (1889 – 1976), um grande pensador dos tempos modernos.

“Hoje, através de uma tradução inglesa, conheci o livro Tannisho, de um sábio oriental chamado Shinran. Fiquei impressionado com a declaração em que ele diz: ‘A promessa elaborada por Buda Amida, após meditar durante 5 kalpas,foi feita para me salvar unicamente a mim, Shinran.’ Se há dez anos eu tivesse conhecimento da existência de um sábio tão maravilhoso assim no oriente, não teria estudado o grego nem o latim. Teria estudado o japonês para melhor conhecer o seu ensinamento e dedicado a minha vida para divulgá-lo ao mundo. Mas é tarde demais. Orientei dezenas de filósofos e pensadores japoneses. Conversamos muito a respeito de filosofia e sobre as linhas de pensamento, mas apesar de estarmos sempre em contato, não percebi qualquer indício da existência de um pensamento tão magnifico assim no Japão. O que fazem os japoneses? O Japão perdeu a Segunda Guerra Mundial e dispôs-se a contribuir para a cultura mundial. Não precisamos de construções arquitetónicas grandiosas nem de objetos de arte. Não precisamos de nada disso. Eu só gostaria que os japoneses divulgassem o ensinamento de Shinran. Seja nos negócios, no turismo, na política, gostaria que o simples contato com os japoneses nos fizesse sentir ao menos o aroma de um ensinamento profundo. Assim, o mundo conheceria esse ensinamento. Cada país, nas suas respetivas línguas: os franceses, em francês; os dinamarqueses, em dinamarquês. Fariam suas as palavras desse sábio. Desta forma, estabeleceria-se a perspetiva da paz mundial, fornecendo as bases para a civilização do século XXI.”

Os admiradores de Shinran não se limitam aos adeptos da doutrina, mas também se estendem a um grande número de intelectuais, catedráticos, filósofos e pesquisadores do seu pensamento.

Os anos iniciais da vida de Shinran

Shinran nasceu no dia 21 de maio de 1173, em Kyoto, numa famíia de nobres. O seu pai chamava-se Fujiwara Arinori, e sua mãe, Kikko Gozen. O name de infância de Shinran era Matsuwaka-maru. Nesse período, havia o costume de trocar o nome ao longo da vida, sendo que na nobreza isso acontecia no momento da emancipação, ao receberem títulos ou condecorações.

Shinran crescia sob a proteção e carinho dos pais, mas, aos quatro anos, subitamente perdeu o seu pai. Aos oito anos, a sua mae também faleceu. A sua tristeza e solidão eram inconsoláveis. Esta orfandade tão precoce, além da imensa saudade, levou-o a uma preocupação quanta ao destino dos seus pais e a incerteza do que acontece após a morte. Estas questões motivaram-no a tomar a firme decisão de ingressar no mosteiro.

Assim, na primavera de 1181, aos nove anos de idade, Shinran ingressou no mosteiro budista da escola Tendai, no monte Hiei, situado entre de Shiga e Quioto.

Durante 20 anos, desprendendo-se de tudo, Shinran dedicou-se integralmente às duras praticas budistas. Dia e noite, na tentativa de purificar a mente e o espírito, Shinran dedicou-se ao estudo dos sutras, as praticas rigorosíssimas da manutenção do mosteiro, as meditações sob as águas geladas das cASCATAS, mesmo em pleno inverno. Ele percorria diariamente dezenas de quilómetros, submeten­do-se a provas mentais e físicas no limite de sua capacidade. Dedicou-se, também, à pratica do bem, seguindo rigorosa­mente os preceitos do ensinamento.

Na tentativa de entender a mensagem de Buda Shakyamuni, leu inúmeras vezes a coletânea completa de sutras formada por mais de 7000 volumes. A sua dedicação era reconhecida pelos seus colegas, que o chamavam de “prodígio do monte Hiei“.

Apesar de seu prestígio no monte Hiei, local de práticas da Escola Tendai, Shinran continuava a carregar uma profunda incerteza e insegurança sobre a transitoriedade da vida.

Alguns anos após o seu ingresso no mosteiro, iniciou-se o primeiro dos três grandes períodos do xogunato japonês, que corresponde ao governo militar entre 1185 e 1333. Nessa época, houve o enfraquecimento do poder imperial, vista que o xogunato passou a dominar o Japão.

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