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Um ladrão que foi preso, algemado e sente ódio das algemas que impedem a sua liberdade e causam sofrimento, pode ser considerado inteligente?

Obviamente que não. Mas onde está o grande equívoco e incoerência deste ladrão?

O ato de roubar foi a má ação que gerou o resultado de estar preso, isto é, o sofrimento de perder a liberdade é uma consequência da ação que ele mesmo praticou.

As algemas não são a «causa» do seu sofrimento e sim, a «condição».

As consequências surgem na nossa vida de acordo com as ações que praticamos: as boas ações resultam em boas consequências; as más ações geram

más consequências; as minhas ações produzem as consequências na minha vida.

Embora o Princípio da Causalidade relacione causa e consequência, se examinarmos com mais profundidade, perceberemos que, na realidade, apenas com a causa não é possível surgir a consequência.

Além da causa, todas as consequências dependem também de condições propícias para surgirem. A consequência surge da fusão da causa com a condição. De maneira mais rigorosa, o Princípio da Causalidade relaciona causa, condição e consequência.

A condição é tudo aquilo que auxilia a causa (semente, as nossas ações) a tornar-se consequência (fruto, o nosso destino). Por exemplo, para colhermos trigo precisamos de ter não apenas a semente, mas também as condições propícias para que ela germine e se desenvolva até produzir o fruto desejado. Essas condições são recursos como solo fértil, temperatura ambiente, luz solar e água nas quantidades adequadas, sem os quais não seria possível obter a consequência, que é o trigo.

Neste mundo existem pessoas que acham que a causa do sofrimento está no mau governo, na situação emergencial que vivemos ou, ainda, no chefe, na esposa, no marido, ou seja, em fatores que na realidade são condições e não a causa. Todo o resultado que colhemos são frutos das ações que praticamos.

Nas adversidades, é muito mais fácil responsabilizar as outras pessoas, a sociedade, a situação do mundo e tudo o que está à nossa volta, do que olhar para dentro de nós e refletirmos sobre as nossas ações que podem ter gerado o sofrimento atual. Por outras palavras, nos momentos desfavoráveis é mais cómodo olhar para a «condição» do que para a «causa», que na realidade está em nós mesmos, nas ações mentais, orais e físicas que praticamos no dia a dia.

Ao culpar as condições pelo que acontece nas nossas vidas, adotamos o mesmo comportamento do ladrão tolo, que comete o equívoco de achar que a condição é a causa.

Obviamente que as condições contribuem para que a consequência surja e, por isso, precisam também de ser trabalhadas, melhoradas e alteradas. Mas o principal foco do nosso esforço para aprimorar a vida e caminhar em direção à felicidade deve ser colocado nas nossas ações, as causas principais de tudo o que acontece nas nossas vidas.

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Professor de filosofia budista, cultura japonesa e pensamento nipónico, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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