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YouTube_A mãe sente as aflições do filho

Há cerca de 1000 anos, um monge budista chamado Shozan habitava o monte Hiei (no Japão) e, sozinho, dedicava-se às práticas. Um dia, viu que estava praticamente sem comida. Do lado de fora, a neve acumulava-se. 

— Não posso revelar a minha situação à mãe. Isso apenas a deixaria aflita — decidiu. 

Dias depois, uma pessoa apareceu. 

— Senhor Shozan? Venho da parte da senhora sua mãe — disse o homem, e entrou. Trazia consigo arroz e uma carta: «Não recebo mais notícias tuas. Porquê? Estou preocupada, estás doente? Está muito frio. Cuida-te.» 

As palavras transbordavam de amor da mãe, num zelo ainda maior que o habitual. Tomado por imensa alegria, Shozan releu a carta muitas vezes. 

Desculpando-se pelo incómodo que causara ao homem, o monge logo se pôs a cozinhar o arroz. 

— É uma refeição modesta, mas, por favor, sirva-se — ofereceu. 

Porém, o homem nada fazia senão chorar.

— O que foi? — perguntou um confuso Shozan.

— A sua mãe estava preocupada consigo. Ela queria enviar-lhe arroz, mas não tinha recursos, pois leva uma vida difícil. Tentou pedir dinheiro emprestado, em vão. Foi quando decidiu vender um móvel da casa. Assim, comprou o arroz. Cada um desses grãos está imerso no amor dela por si. Sinto-me indigno de comê-lo. 

Na carta, ela poupara-lhe dos detalhes. 

— Buda diz que a dívida de gratidão aos pais é infinita como o céu. E eu, tolo, não tentei conhecer nem a milésima parte dessa dívida — disse Shozan, entre lágrimas. 

A partir daí passou a cozinhar do seu próprio arroz diariamente e a acrescentar um grão daquele que fora enviado pela mãe. Assim, não esquecia a gratidão que lhe era devida. 

Mesmo crescidos, para os pais, os filhos permanecem eternas crianças, carentes de cuidado. Nem a morte interrompe tal preocupação. O ideograma japonês da palavra «pais» expressa este sentimento dos pais para com os filhos, segundo algumas explicações possíveis para a origem da letra. 

親   =   立   +   木   +   見

(Pais) = (Ficar de pé) + (Árvore) + (Ver) 

O significado do ideograma para «pais» pode ser entendido como «ficar de pé numa árvore e observar». Pode ser interpretado como o sentimento dos pais de estarem constantemente a «ver» os filhos, mesmo que distantes, e zelar pelo bem-estar e felicidade deles, em qualquer idade. 

Feliz é a pessoa que sabe e conhece a gratidão. 

Muito mais feliz é quem sente gratidão. 

Mas a pessoa mais feliz de todas é aquela que retribui a gratidão. 

Leia mais sobre este importante tema para a nossa vida quotidiana no livro CAUSA E CONSEQUÊNCIA – Filosofia budista para o dia a dia e nos artigos do site da ITIMAN.

Dúvidas, perguntas e comentários podem ser enviadas para Mauro Nakamura, pelos seguintes meios:

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Professor de filosofia budista, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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