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Alguns sugerem que os altos índices de suicídios se deve às crises económicas que perduram ou ainda, mais recentemente, aos diversos efeitos causados pelo grave problema de saúde pública da Covid-19, mas essa explicação é demasiada simplista. 

Émile Durkheim (1858–1917), fundador da sociologia moderna, descobriu que a ocorrência de suicídios era mais alta entre os ricos do que entre os pobres. A partir de amplos estudos estatísticos, Durkheim demonstrou que as pessoas com maior poder de compra são as que sofrem mais. 

O acesso a entretenimento, a uma vida mais confortável e a recursos que facilitam o quotidiano não é suficiente para satisfazer as necessidades mais profundas do ser humano. As nossas necessidades não são apenas de conforto, facilidades e de prazer. Precisamos de sentido e propósito. 

O psicólogo norte-americano Mihaly Csikszentmihalyi (1934 – ) afirmou que, por não conhecerem o propósito da vida, as pessoas não conseguem obter satisfação genuína, por mais conforto e prazer que obtenham. 

A causa oculta do suicídio é não compreender a importância da vida e seu propósito. Sufocado de dor, quem sofre pergunta «Por que razão continuar a viver assim? Para quê?» Não é de espantar que a ignorância desse propósito fundamental da vida leve as pessoas a escolherem a morte. 

O bilhete premiado com milhões de euros é guardado com todo cuidado porque o seu dono sabe que aquele pedaço de papel representa uma fortuna maior do que o salário de uma vida inteira de trabalho. O bilhete que não foi premiado vai para caixote do lixo. Coisas sem valor, como chávenas lascadas ou computadores danificados sem possibilidade de conserto são deitados fora sem a menor cerimónia. 

Ninguém que realmente entenda que a vida é infinitamente preciosa e que tem um propósito saltaria do alto de um prédio, deitando-a fora como um bilhete de lotaria que não foi premiado, nem roubaria insensivelmente a vida de outra pessoa. 

Muitos fatores podem ser citados como causa do suicídio: depressão, problemas de família, desequilíbrio emocional, sistema educacional deficiente, degradação da sociedade como um todo, etc. Mas todo debate que não leve em conta a questão essencial do propósito da vida, torna-se sem sentido e não propõe qualquer solução prática e definitiva. A vida humana tem um objetivo claro que pode ser concluído, em vida. Para isso, devemos vivê-la com coragem e plenamente, por mais doloroso que seja. 

Quando conquistamos o entendimento do propósito da vida (e isto não tem relação com fé ou crenças religiosas, pois o essencial é saber de maneira realista e correta sobre a vida e o ser humano), o sentido e a dignidade de viver revela-se com toda a clareza. A pessoa que sabe o propósito da vida é como um maratonista que tem plena consciência da direção para a qual precisa correr até a linha de chegada e, por isso, não mede esforços e tem força para enfrentar os maiores desafios e sofrimentos ao longo de todo o trajeto. 

Leia mais sobre este assunto no artigo “Por que a nossa vida é infinitamente preciosa?”.

Dúvidas, perguntas e comentários podem ser enviadas para Mauro Nakamura, pelos seguintes meios:

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Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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