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São muitos os assuntos abordados pelo Budismo, mas toda a filosofia budista converge para um único ponto: a resposta para a pergunta “por que vivemos?”. Shinran, um grande divulgador do Budismo no Japão do século XII, explicou que o Budismo é um grande navio que nos leva pelo mar de sofrimento.

Dentro da analogia de Shinran, esse mar de sofrimento representa a vida, com suas constantes amarguras, como se fosse um oceano com infinitas ondas agitadas.

Para que nascemos? Para que vivemos? Mesmo sofrendo, temos de viver. Por que? São perguntas que todos nós queremos responder.

Ao nascer, todos os seres humanos são lançados na imensidão do oceano da vida. Uma vez atirados ao mar, temos de nadar com toda energia. “Nadar com toda energia” significa se esforçar ao máximo para sobreviver.

Mas nadar em que direção? No vasto mar, tudo o que a vista alcança é apenas céu e água, não temos qualquer senso de direção. Por outro lado, afundaremos se não nadarmos. Por isso, temos de nadar com força total.

Mas o que acontecerá se continuarmos nadando sem saber para onde?

Logo, corpo, mente e espírito estarão exaustos. Por fim, virá a morte por afogamento. Não resta dúvida.

Mesmo sabendo disso, não temos escolha senão nadar.

Quando nos cansamos, temos de nos apoiar nos objetos flutuando à nossa volta. Sentimos alívio ao conseguir com muito custo agarrar uma pequena tábua, mas logo somos engolidos por ondas inesperadas, perdemos a tábua e sofremos, engasgando com água salgada.

“A tábua era muito pequena”, refletimos e nadamos buscando um tronco maior. Depois de muito sacrifício, conseguimos nos apoiar em uma grande tora. Ficamos animados, mas, em seguida, somos vítimas de uma onda ainda maior.

Novamente engasgamos com água salgada e nos debatemos. Pensamos: “Se tivesse me apoiado num tronco maior, isso não aconteceria…”. E, assim, vivemos obcecados até o último instante por coisas efêmeras como sonhos, e o mar de sofrimento não tem fim.

(Conteúdo do filme “Porque vivemos”, Japão, 2016)

Será que viver desta maneira realmente é o caminho para ser plenamente feliz?

Qualquer pessoa que pensa seriamente na vida já deve ter se sentido e se questionado desta maneira. 

O filme “Porque vivemos”, produção inspirada no livro de mesmo título, discute esta questão essencial do ser humano a partir de um fato histórico do Japão no século XIV e pela visão budista.

Dentro do anime, a explicação da analogia entre a vida e o oceano termina com a afirmação da filosofia budista de que neste mar de sofrimentos da vida existe um grande navio no qual podemos embarcar.

Como embarcar neste grande navio e obter a felicidade plena e duradoura nesta vida é o que buda Shakyamuni transmitiu há mais de 2600 anos e, é também, a essência do ensinamento do Budismo retratada no filme “Porque vivemos”.

Dúvidas, perguntas e comentários podem ser enviadas para Mauro Nakamura, pelos seguintes meios:

Mauro Nakamura
Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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