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RESPOSTA: é a mesma diferença que existe entre ver ou ouvir sobre a morte das outras pessoas e ficar de frente à própria morte.

Antes de avançarmos nas explicações, mais uma pergunta: por que falar em morte, algo desagradável e que não queremos nem saber? 

RESPOSTA: Porque a morte é o futuro inevitável de todos. No entanto, são poucas as pessoas que pensam nela com seriedade. Preferimos simplesmente não nos deter neste assunto. O falecimento súbito de um conhecido, de um amigo, ou de alguém da família nos força a encarar a desagradável realidade da morte e nos causa tremores de medo e ansiedade; mas trata-se apenas de um estado temporário. Logo esquecemos e preenchemos o vazio com questões sobre como viver melhor. Mesmo aceitando a inevitabilidade da morte, continuamos a empurrá-la para um futuro distante de nós. 

Um famoso médico japonês escreveu o seguinte texto quando estava próximo do final da sua vida: “ Durante toda a minha vida, só os outros é que morriam … Era o que eu pensava… Agora, a ideia de que chegou a hora da minha morte é absurdamente insuportável”

A diferença entre cuidar da vida e da morte de outras pessoas e contemplar o próprio fim iminente é comparável à diferença entre ver um tigre no zoológico e ver-se subitamente diante de um tigre nas montanhas. Embora tremendo de ansiedade e medo, enquanto estamos saudáveis encaramos a morte com o mesmo espírito de quem observa um tigre na jaula. Não se trata de um animal selvagem com que deparamos nas montanhas. 

O que aconteceria, entretanto, se você ouvisse que está com cancro ou covid, e tem apenas uma semana de vida? 

“Nesse momento, todo o resto perde o valor e fica apenas a grande questão candente: ‘O que vai acontecer depois que eu morrer?’”, disse Hideo Kishimoto (1903-1964), antigo professor da Universidade de Tóquio, que morreu depois de lutar contra o cancro durante dez anos. O relato do confronto de Kishimoto com a morte é angustiante, mas muito realista: 

“O que significa de fato a interrupção da vida? Decerto é o fim da vida física do corpo. A respiração cessa, o coração para de bater… Mas a vida humana não é constituída apenas da fisiologia do corpo. Ao menos enquanto se vive, faz parte do senso comum pensar no ser humano como uma entidade espiritual também. O homem tem consciência de si agora, enquanto vive. Existe algo que ele considera o “próprio eu”. Daí vem a pergunta e tudo se centra neste único ponto: “O que vai acontecer com ‘o próprio eu’ depois da morte?”. Essa é a grande questão para todos os seres humanos”.

Enquanto se tem saúde, é possível pensar na morte como “repouso” ou “descanso eterno”, e afirmar que ela não é ameaçadora; mas, diante da morte iminente, tudo o que importa é saber o que existe atrás de sua cortina. Não se sabe absolutamente se existe ou não o mundo após a morte. Esse estado de ignorância total e ansiedade é chamado de “escuridão da mente” ou “mente escura”. Esta escuridão se refere ao desconhecimento ou incerteza sobre o que acontecerá depois que morrermos. A filosofia budista explica que a fonte de todos os sofrimentos humanos é a “mente escura” e indica o caminho para a solução completa desta, que é a causa básica do sofrimento.

Leia o artigo “Para cada sofrimento, um caminho, uma felicidade” e compreenda melhor a causa do sofrimento humano e sua solução.

Dúvidas, perguntas e comentários podem ser enviadas para Mauro Nakamura, pelos seguintes meios:

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Professor de filosofia budista, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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