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Um dia, Buda Shakyamuni saiu disfarçado como mendigo. Bateu na porta de uma casa e pediu uma tigela de arroz. “Cozinho só o suficiente para mim e para meu marido”, disse a dona da casa, friamente. 

“Pode me oferecer uma chávena de chá?” 

“Chá é bom demais para um mendigo. Água basta.” 

“Estou tão fraco que não consigo nem me mexer. Poderia pegar um pouco de água para mim?” 

“Que audácia… um mendigo dando ordens para os outros! Tem muita água no rio ali, na frente da casa. Vá até lá e beba o quanto quiser.” 

De repente, Shakyamuni revelou-se e disse: “Que pessoa impiedosa você é! Se tivesse me oferecido uma tigela de arroz, eu teria lhe dado esta tigela cheia de ouro. Se tivesse me oferecido uma chávena de chá, eu a teria devolvido cheia de prata, e se tivesse me oferecido água, eu teria devolvido a chávena cheia de estanho. Mas você não tem bondade nenhuma. Jamais será feliz sendo como é”. 

“Ah, Shakyamuni, é o senhor? Aqui está, por favor, aceite a minha oferta.” 

“Não posso. A bondade que espera alguma coisa em troca vem misturada com veneno. Não posso aceitar nada de você.” Shakyamuni virou as costas e foi-se embora. 

Quando o marido voltou para casa, a mulher lhe contou toda a história. 

“Você é tão idiota”, disse ele. “Por que não deu logo uma tigela de arroz para Shakyamuni? Teria ganhado uma tigela de ouro em troca.” 

“Acredite, se eu soubesse, teria dado dez tigelas de arroz.” 

“Tudo bem, eu vou atrás dele e darei o arroz em troca de ouro”, disse o marido e partiu atrás de Shakyamuni. Quando estava já quase sem forças, chegou a uma bifurcação da estrada. Um mendigo estava sentado no chão. 

“Ei, mendigo”, disse o marido. “Viu Shakyamuni passar por aqui?” 

“Não vi não, senhor, mas… estou com tanta fome que não posso nem me mexer. Poderia, por favor, me dar alguma coisa para comer?” 

“Não vim aqui para alimentar mendigos. Vim atrás de ouro.” 

Nesse momento, Sakyamuni se revelou e disse: “Tal esposa, tal marido. Quem não tem compaixão não recebe felicidade”. 

“Ah, então, o senhor é Shakyamuni? Foi para o senhor que vim trazer isto aqui.” 

“Não. Presentes dados em troca de reconhecimento e lucro são venenosos. Não posso aceitar.” E com essa resposta solene Buda Sakyamuni seguiu seu caminho. 

Leia também o artigo “Bondade é bom para si próprio e para os outros”.

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Professor de budismo e autor de diversos best-sellers sobre filosofia budista, desenvolvimento humano e educação no Japão. Autor do livro "Porque vivemos".

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