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Dois monges budistas viajavam em peregrinação quando chegaram a um pequeno ribeirão que estava bastante cheio em virtude de uma chuva de vários dias. Uma linda mulher estava parada, hesitante à beira da água, sem conseguir atravessar. 

“Venha, deixe que eu a ajudo”, ofereceu-se um dos monges. Carregou-a sem esforço e a levou até a outra margem. Vermelha de vergonha, ela murmurou um agradecimento e seguiu seu caminho. 

O outro monge ficou escandalizado por seu companheiro ter abraçado uma mulher (sua seita zen proibia terminantemente qualquer contato com o sexo oposto) e manteve silêncio absoluto durante o resto da viagem. 

Quando chegou a noite, o monge que tinha carregado a rapariga sugeriu que parassem em algum lugar para descansar. O outro respondeu friamente que não tinha a intenção de se alojar em nenhum lugar com um monge depravado. 

O primeiro monge exclamou: “O quê? Você ainda está carregando aquela rapariga?” e caiu na risada. Surpreendido e, ao mesmo tempo, constrangido pela natureza libertina dos próprios pensamentos, seu companheiro não pôde fazer nem responder nada. 

O mais importante é o que temos na nossa mente ou coração. É onde se deve colocar ênfase. No entanto, por piores que sejam os nossos pensamentos íntimos, não somos passíves de acusação ou censura meramente por pensar. 

Por isso, há expressões como “eu apenas pensei, mas não fiz e nem falei nada”, como se a ação de pensar fosse insignificante e em nada resultasse. Mas esta maneira de pensar e postura não está de acordo com a realidade.

Tudo o que podemos ter conhecimento ou o que a justiça e as leis conseguem sancionar são as projeções da mente, que são externalizadas em forma de palavras ou atos. Como não há meios de vigiar o funcionamento da mente de uma pessoa, nossos pensamentos fluem livre e desenfreadamente. 

Cada pensamento ou ação mental tem um enorme peso em nossas vidas, pois é a mente que controla o que falamos e fazemos com o corpo. Os nossos pensamentos ou ações mentais, quando somadas a condições propícias, dão origem às nossas ações físicas e orais. Ou seja, falamos e fazemos exatamente o que temos dentro da mente. Por mais que seja possível “filtrar” e ocultar os nossos pensamentos, um dia eles se transformarão em palavras e atos. Por isso, podemos considerar que somos exatamente o que pensamos.

(Texto baseado no livro “Causa e Consequência – Filosofia budista para o dia a dia”, de Mauro M. Nakamura)

Se deseja saber mais e aprender sobre estes importantes temas, poderá ler os artigos do site da Itiman e participar dos cursos online oferecidos aos leitores do livro.

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Professor de filosofia budista, cultura japonesa e pensamento nipónico, autor, diretor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

One Comment

    • Antonio José Calafate dos

    • 12 meses ago

    Pura Verdade!
    Por isso acredito que devemos cuidar dos nossos pensamentos. Porque mais cedo ou mais tarde eles se transformarão em palavras ou atos.
    Muito obrigado!🙏🏻

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