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A semente plantada, por menor que seja, certamente germinará; o que não for semeado jamais crescerá. Esta é uma sólida verdade universal, que nenhuma pessoa é capaz de negar, discordar ou contrariar. 

Sem uma causa, nenhum efeito será produzido. Todo e qualquer êxito é resultado do esforço diário e da dedicação perseverante de cada um. 

Na teoria, sabemos de tudo isso, mas na prática, em determinadas situações temos dúvida e pensamos: será que realmente vale a pena ser sempre honesto?

O professor Kentetsu Takamori, autor do livro “Porque vivemos”, relata uma história do Japão que muito tem a nos ensinar sobre a honestidade, um valor humano essencial para a nossa felicidade.

Poderoso general, Toshiie Maeda (1539-1599) passeava, numa noite de verão, pelo jardim do seu palácio com alguns governadores idosos. A certa altura, Maeda parou, olhou para Kai, que caminhava a seu lado, e disse: 

«Olhe aquela estrela cintilante lá no alto. Consegue vê-la, Kai?» 

Kai respondeu, todo cortês: «Certamente, senhor. Vejo uma estrela a brilhar.» 

De seguida, Maeda dirigiu-se a Awa e perguntou-lhe: «Awa, também consegue avistar a estrela?» 

«Consigo, sim, excelência. Distingo perfeitamente a estrela», respondeu cordialmente. Maeda fez então a mesma pergunta a Tossa: 

«Tossa, obviamente também consegue ver a estrela, não é verdade?» 

Tossa procurou a estrela de um lado e de outro, mas nada encontrou. 

«Sou um pouco ignorante. Não consigo ver estrela nenhuma.» 

«Ali, na direção daquela ponta em cima do telhado. Ainda não a consegue avistar, Tossa?», insistiu Maeda. 

Tossa esfregou os olhos várias vezes enquanto procurava a estrela. Não conseguia achá-la em parte nenhuma. 

«Mil perdões, meu senhor. Não a consigo ver de maneira nenhuma», desculpou-se Tossa, todo encabulado. 

Maeda desfez-se em gargalhadas e disse: 

«Tossa é um tolo; por isso não consegue avistar uma estrela que eu digo que vejo. Quem é esperto consegue ver uma estrela invisível.» 

O único a passar no teste irónico de Maeda foi Tossa. Kai e Awa eram apenas bajuladores que concordavam com tudo o que dizia o seu superior. 

Só o governador Tossa possuía um coração honesto. 

Para obter sucesso verdadeiro e duradouro é indispensável total honestidade. Um por cento de desonestidade é capaz de anular noventa e nove por cento de honestidade. Muitos desperdiçam uma vida inteira desta forma. 

Por isso, é muito importante ficar sempre atento às movimentações do nosso coração e da nossa mente, e tomar o máximo de cuidado com as nossas atitudes.

Leia mais sobre este tema no artigo abaixo “Ser honesto é ser tolo?”.

Mauro Nakamura
Professor de filosofia budista, autor, editor de conteúdo e presidente da ITIMAN. Diretor internacional da Ichimannendo Publishing Co. Ltd. - Tóquio, Japão.

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