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Isto aconteceu nos Estados Unidos, muito tempo atrás, quando os meios de transporte não eram desenvolvidos como hoje. A noite estava caindo e uma diligência com a lanterna acesa rodava por uma estrada no Velho Oeste. Dentro dela, os assentos estavam quase todos ocupados, a atmosfera era harmoniosa. 

Quando a diligência chegou perto de um trecho íngreme e cheio de mato da estrada da montanha, ouviu-se um burburinho entre os passageiros. “Esta região é cheia de bandidos”, disse um. “Muitas diligências são assaltadas”, disse outro. “Será que estamos em segurança?” “Aqui é o tipo de área solitária onde pode ocorrer um assalto”, disse alguém. 

Tremendo, um rapaz virou-se para o digno cavalheiro sentado a seu lado. “É verdade? Estou levando comigo três mil dólares que ganhei com suor e sangue. É tudo o que tenho na vida. O que devo fazer?” 

O cavalheiro balançou a cabeça e disse: “Eu tenho uma ideia. Esconda o dinheiro na bota. Eles nunca vão procurar aí”. O rapaz aceitou o conselho rapidamente. Pouco depois a diligência foi atacada. 

Um bando de ladrões surgiu e começou a arrancar metodicamente os objetos de valor dos passageiros. De repente, o cavalheiro gritou: “Esse rapaz está com uma fortuna escondida na bota!”. Satisfeitos com a rica pilhagem, os bandidos foram embora, sem incomodar mais ninguém. 

A diligência prosseguiu a viagem, apesar do ataque, mas os passageiros se juntaram para insultar o traidor. O rapaz o acusou abertamente de fazer parte do bando. O clima ficou pesado. Diante da situação, o cavalheiro apenas repetia, com serenidade: “Eu sinto muito, muito mesmo. Peço que tenham só um pouco mais de paciência”. 

Quando a diligência entrou na cidade, a paciência do rapaz esgotou-se e ele pulou no pescoço do cavalheiro. 

“Desculpe”, repetiu o homem mais velho. “A verdade é que eu tenho comigo cem mil dólares. Seus três mil eram bastante dinheiro, mas deixar que fossem roubados salvou os meus cem mil. Por favor, aceite dez mil dólares como prova de minha gratidão. Espero que me perdoe.” 

Ao saber a verdade, o rapaz ficou muito envergonhado. Apresentou sinceras desculpas e agradeceu a seu benfeitor. 

É importante compreender que, às vezes, na vida, é preciso decepcionar os outros por algum tempo e estar preparado para sofrer insultos e perseguições a fim de atingir um objetivo maior. 

Leia mais histórias como esta e outros artigos sobre temas relevantes da vida e do ser humano, explicados pela filosofia budista, no livro “Sementes do Coração”, de Kentetsu Takamori.

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Professor de budismo e autor de diversos best-sellers sobre filosofia budista, desenvolvimento humano e educação no Japão. Autor do livro "Porque vivemos".

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